Quanto mais o tempo passa, mais vejo como foca é lerdo e prejudicado.
Hoje liguei no Ministério do Trabalho e Emprego para saber dos procedimentos para conseguir o meu Mtb.
Bonzinho o moço que me informou os documentos necessários. Ele disse " Você precisa trazer o requerimento... Ah esse nos temos aqui. Bem, a cópia da carteira de trabalho, foto e qualificação civil, CPF e xérox do documento que comprova o término do curso de comunicação..." interrompi a fala simpática e perguntei "o diploma?" "sim" foi a resposta.
Mtb é o primeiro indício de metideza que um foca pode ter. É o registro na carteira de trabalho que comprova a autenticidade da formação na área. Ai quando alguém te esnoba você fala que tem registro e diz o número que te identifica. Já é um argumento de defesa. Acontece que quando formamos recebemos apenas canudo e vácuo. O diploma deve chegar daqui uns seis meses. Pelo menos foi esse o tempo que um amigo meu esperou.
Enquanto isso, além de não ter argumento para defesa, não posso me candidatar a nenhum emprego que exija jornalista profissional, nem fazer concurso para área e não tiro a carteira da FenaJ (Federação dos Jornalistas) que tem o mesmo valor do RG.
Pior de tudo: eu ainda não tinha me atentado à isso. =/
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Contexto
Meu orientador, muito querido, ainda aguarda o artigo que fiquei de escrever para que participemos de um congresso. Mestre Firmino, semana que vem mando; promessa de foca!
Nasci em Campinas e graças a minha mãe, que nasceu em Carmo do Rio Claro, vim parar aqui. Mesmo assim a amo.
O Carmo é dono de uma área rural linda. Diversas cachoeiras de cor clara e enfeites de pedra, montanhas verdes e as águas do lago de Furnas apossam metade do município. É coisa bonita de se ver e alegria de turista.
A parte urbana não teve tanta sorte. Nas ruas mais afastadas do centro tem sujeira e carniça. Nessas ruas mais longes não tem árvore, mas tem mato. As ruas são cheias de remendo e os paralelepípedos, estes no centro, não andam grudados ao chão. Tem muito terreno baldio lotado de picão e faltam calçadas. Apesar de tudo, vê-se que o município tem potencial, mas ninguém que passou conseguiu organizar as coisas por aqui.
Quanto aos empregos, o forte é artesanato em tear e agricultura. Deus não curvou minha vocação para nenhum dos lados. Queria eu ter formado agrônoma... O povo que mexe com terra tem respeito por aqui.
Pelo tamanho da cidade o número de veículos de comunicação é alto. Nada que anime minha vida. A maioria paga mal até quem trabalha com eles há muito tempo. Os outros trabalham sozinhos e não tem diploma de jornalista. Os jornalistas mesmo quase não trabalham na área e quando recebem alguma proposta sentem a ofensa.
Diante do que vos falo me dispus a fazer serviços esporádicos para jornais da região. Logo na primeira pauta já senti o que é ser foca. Mas esse relato continuo em outra ocasião.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Vida de foca
Olá atenciosa pessoa que se interessou por esta página.
Caso você não seja jornalista, explico o significado do termo "foca".
Além de ser um mamífero da família dos Pinípedes, o substantivo é usado para classificar os recém-formados do curso de jornalismo, também mamíferos só que da linhagem dos Comprimidos.
Um foca é visto como novato inexperiente e sem influência pelos renomados jornalistas e até pelos seres de outras profissões. Com esta classificação animadora, imagine a facilidade que temos para conseguir um emprego.
Pra começar, foca não tem direito de escolha. Aceita qualquer proposta indecente, do tipo onde pagamos para trabalhar, na intenção de adquirir a tal da experiência.
Caso consigamos uma chance, ralamos mais que o faxineiro, fazemos o trabalho de uma equipe sozinhos, ficamos de plantão o final de semana inteiro - todos os finais de semana, diga-se de passagem - e não ganhamos hora extra. A escravatura age sobre os inexperientes.
Se não conseguimos a carteira assinada fazemos bico, ou trabalhamos como frila, vocabulário da nossa língua. Isso significa que continuamos dependentes dos pais porque vamos trabalhar de forma independente. Sem contrato nem documento, o frila presta serviços esporádicos: uma reportagem aqui, uma assessoria ali, uma fotografia acolá e assim continuamos explorados porque quem contrata foca alega que o preço tem que ser de pão porque não temos experiência...
É... A gente estuda quatro anos, gasta uma grana danada, sofre feito condenados pra fazer o bendito TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), quase perde a sanidade MENTAL (o pleonasmo é para mostrar a gravidade do caso) e quando saí pra vida chegamos ao mercado como rejeitados.
A existência de um foca não é nada fácil. Então este blog vai ser meu local de desabafo. Cada situação de opressão, ou possível sucesso, será relatada neste espaço.
Caso você não seja jornalista, explico o significado do termo "foca".
Além de ser um mamífero da família dos Pinípedes, o substantivo é usado para classificar os recém-formados do curso de jornalismo, também mamíferos só que da linhagem dos Comprimidos.
Um foca é visto como novato inexperiente e sem influência pelos renomados jornalistas e até pelos seres de outras profissões. Com esta classificação animadora, imagine a facilidade que temos para conseguir um emprego.
Pra começar, foca não tem direito de escolha. Aceita qualquer proposta indecente, do tipo onde pagamos para trabalhar, na intenção de adquirir a tal da experiência.
Caso consigamos uma chance, ralamos mais que o faxineiro, fazemos o trabalho de uma equipe sozinhos, ficamos de plantão o final de semana inteiro - todos os finais de semana, diga-se de passagem - e não ganhamos hora extra. A escravatura age sobre os inexperientes.
Se não conseguimos a carteira assinada fazemos bico, ou trabalhamos como frila, vocabulário da nossa língua. Isso significa que continuamos dependentes dos pais porque vamos trabalhar de forma independente. Sem contrato nem documento, o frila presta serviços esporádicos: uma reportagem aqui, uma assessoria ali, uma fotografia acolá e assim continuamos explorados porque quem contrata foca alega que o preço tem que ser de pão porque não temos experiência...
É... A gente estuda quatro anos, gasta uma grana danada, sofre feito condenados pra fazer o bendito TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), quase perde a sanidade MENTAL (o pleonasmo é para mostrar a gravidade do caso) e quando saí pra vida chegamos ao mercado como rejeitados.
A existência de um foca não é nada fácil. Então este blog vai ser meu local de desabafo. Cada situação de opressão, ou possível sucesso, será relatada neste espaço.
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